terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Sobre "taenias" e outros medos


Quando eu era pequena meus medos não eram de monstros, bruxas e seres de outro mundo. Eu sempre fui esquisitinha. Além do medo normal de toda criança de perder os pais, de entrar ladrão em casa, eu tinha um quê Rodrigueano que me fazia sofrer dias e até anos a fio com a idéia de que aquilo que imaginei pudesse ser verdade. Por exemplo, não bastava eu ter medo de ser adotada, como toda criança normal. Aos seis anos, eu imaginava que podia ser fruto de um adultério da minha mãe e ficava olhando pro meu pai buscando semelhanças, já que com ela era visível. De tanto procurar essas semelhanças acabei adotando algumas características do meu pai e hoje eu sou praticamente ele de saia. Se bem que quase não uso saia. Então sou ele de cabelos longos. Pronto.

Aqueles livros de ciências eram verdadeiros circos dos horrores pra mim. Porltergeist eu assistia e dormia bem. Mas depois de uma aula sobre taenia solium e saginata eu ficava pilhada. Ia deitar e ficava tentando sentir a malassombrosa dentro de mim. Houve uma época que eu tive certeza que tinha uma na cabeça. Nem sei se é esse o sintoma, mas até sentia dormência e "cosquinha". Acho que foi daí que surgiu o meu hipocondrismo.

Outra coisa que me dava medo, mas aí é tudo culpa da minha mãe, era de seqüestro. Isso quase me fez perder uma grande oportunidade na vida. A sorte é que estava ao lado de uma coleguinha desavisada. A gente estava embaixo do bloco conversando e uma moça dentro de um carro fazia sinal para que eu fosse até ela. Eu fingia que não via, afinal, sabia que ela só queria os meus rins. Só que a minha coleguinha inocente viu e foi até lá, eu até tentei convencê-la a não ir, mas já era tarde demais. Enquanto eu pensava se chamava o porteiro pra salvá-la ela voltava com quatro, QUATRO, pacotes de São Cosme e Damião. Dois pra mim e dois pra ela. Depois disso tive uma conversa séria com a minha mãe sobre esse dia santo. Ela era obrigada a me avisar todos os anos quando chegasse o dia pra que isso não acontecesse mais.

Como eu disse, meus medos não incluíam fantasmas ou monstros de outros mundos. Mas, por garantia, eu sempre olhava embaixo da cama antes de dormir.

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